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Caso Isabella: 16 anos após morte da filha, Alexandre Nardoni está perto de deixar a prisão



O crime aconteceu em 29 de março de 2008 e chocou o país. Pai de Isabella, Alexandre é acusado de jogar a filha da janela de um apartamento. Ele foi condenado a 30 anos de prisão. Alexandre Nardoni Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo Condenado pela morte da filha Isabella, Alexandre Nardoni está perto de deixar a prisão. Isso porque, a partir do dia 6 de abril, ele tem o direito de pedir à Justiça para cumprir o restante da pena em regime aberto. O crime que chocou o país em 2008 completa 16 anos nesta sexta-feira (29). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Preso na penitenciária Doutor José Augusto César Salgado (conhecida como P2 ou “presídio dos famosos”), em Tremembé (SP), Alexandre Nardoni foi condenado inicialmente a 30 anos de prisão. Apesar disso, ele conseguiu reduzir o tempo que ficará atrás das grades em quase mil dias, trabalhando e estudando no presídio ao longo desses 16 anos – entenda melhor abaixo. LEIA TAMBÉM: ‘Presídio dos famosos’: Conheça a P2 de Tremembé, para onde Robinho foi transferido em SP Alexandre Nardoni deve ir para regime aberto em 6 de abril Trabalho na cadeia e leitura: como Alexandre Nardoni reduziu pena em quase 1 mil dias Saiba como funcionam as oficinas que ajudaram Nardoni e outros detentos a reduzir pena em SP Com as reduções, a defesa de Nardoni poderá solicitar à Justiça a progressão dele para o regime aberto a partir de 6 de abril, quando a pena alcança o período necessário para o pedido poder ser feito. Atualmente, Alexandre está no regime semiaberto. Para o pedido ser aceito, é preciso, além de se atingir esse tempo necessário, que o detento tenha bom comportamento carcerário. Em solicitações à Justiça, a defesa de Nardoni cita que ele tem ‘boa conduta carcerária e nenhuma falta disciplinar grave’. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo e Luiza Veneziani/g1/Arquivo Reduções da pena De acordo com a Lei de Execuções Penais, a cada três dias de trabalho um dia de pena é reduzido. Em relação aos estudos, é preciso 12 horas comprovadas para reduzir um dia de pena. No caso de Nardoni, a reportagem apurou que ele teve a pena reduzida em mais de dois anos, com ao menos oito pedidos de remições ao longo do cumprimento da pena. Em setembro do ano passado, a Justiça decidiu favoravelmente a um novo pedido de redução de pena, feito pela defesa de Alexandre: com a nova decisão, foram eliminados 96 dias da pena de Nardoni. A justificativa da defesa de Alexandre foram os trabalhos realizados por ele num período de 277 dias – o que abateu 92 dias da pena. Outros quatro dias foram eliminados após a leitura do livro ‘Carta ao Pai’, de Franz Kafka. Alexandre Nardoni tem previsão de regime aberto em 6 de abril A decisão de reduzir a pena em 96 dias foi da juíza Marcia Beringhs Domingues de Castro, da 2ª Vara das Execuções Criminais, da Comarca de Taubaté. Ela citou na decisão o pedido “que o sentenciado trabalhou por 277 dias, razão pela qual há que prosperar o pedido de remição formulado pela Defesa”. A juíza acrescentou que “o sentenciado permaneceu com o livro ‘Carta ao Pai’ de autoria de Franz Kafka, pelo período de 26 dias, tendo apresentado a respectiva resenha, que foi considerada fidedigna pela equipe responsável”. A leitura faz parte do programa de incentivo chamado ‘Lendo a Liberdade’. No total de dias ‘eliminados’ por Alexandre compõe um acumulado ainda maior: de acordo com o Tribunal de Justiça, Nardoni conseguiu eliminar, ao todo, 990 dias da pena. Além dos 96 dias eliminados em 2023, Alexandre conseguiu excluir outros 894 dias da pena, que é cumprida desde 2008. De acordo com o cálculo de pena do Tribunal de Justiça, o total eliminado corresponde a 2 anos e 9 meses. Os 894 dias também foram eliminados anteriormente devido a trabalhos e estudos realizados dentro da prisão. Os detentos podem trabalhar diariamente nas oficinas da P2, com jornadas de horas variadas. O programa tem como objetivo ajudar na ressocialização do detento, ensinando um ofício, além de ser uma forma de reduzir a pena. Detentos participam de oficinas de trabalho para remir pena na prisão em SP Divulgação/Funap Regime aberto No regime aberto, o condenado cumpre pena fora da prisão e pode trabalhar durante o dia. Durante à noite, deve se recolher em endereço autorizado pela Justiça. A legislação determina que o preso se recolha no período noturno em uma casa de albergado – modelo prisional que abriga presos que estão no mesmo regime -, mas São Paulo não conta com esse tipo de unidade prisional. Por isso, na prática, os presos vão para casa. Para não perder o benefício, o condenado precisa seguir algumas regras, como: permanecer no endereço que for designado durante o repouso e nos dias de folga; cumprir os horários combinados para ir e voltar do trabalho; não pode se ausentar da cidade onde reside sem autorização judicial; quando determinado, deve comparecer em juízo, para informar e justificar suas atividades. Mesmo seguindo essas condições básicas, o juiz pode estabelecer outras condições especiais, de acordo com cada caso. Alexandre Nardoni foi condenado pela morte da filha em 2008 Reprodução/ TV Globo Progressões Alexandre Nardoni foi condenado a mais de 30 anos de prisão, no dia 27 de março de 2010. Inicialmente, o regime para o cumprimento da pena do pai de Isabella Nardoni, que morreu após ser jogada do sexto andar do prédio onde morava, em SP, era o fechado. Pouco mais de nove anos depois da sentença condenatória, Alexandre conseguiu progredir para o regime semiaberto. A decisão da Justiça aconteceu em 29 de abril de 2019. No semiaberto, Alexandre passou a usufruir de saídas temporárias. O benefício é concedido pela Justiça como forma de ressocialização dos presos e manutenção de vínculo deles com o mundo fora do sistema prisional. São quatro saídas temporárias no ano. Agora, ele está prestes a atingir o tempo de prisão necessário para progredir ao regime aberto. Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé, no interior de São Paulo Laurene Santos/TV Vanguarda O crime O assassinato de Isabella Nardoni, crime de grande repercussão que chocou o país, aconteceu no dia 29 de março de 2008, quando a menina de apenas cinco anos foi jogada pelo pai e pela madrasta da janela de um apartamento na capital. Isabella caiu do sexto andar do apartamento onde morava o casal Nardoni, no edifício London. Para a justiça, porém, não foi uma queda acidental, mas, sim, um homicídio. A menina foi agredida e depois arremessada. Isabella Nardoni Reprodução/TV Globo Veja mais sobre o Vale do Paraíba e região bragantina

Fonte: G1


29/03/2024 – Prata FM Vale

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